Ando um pouco desanimado com uma das coisas que são repetidas pelos professores daqui. "O ator russo não gosta de treinamento", ou o "treinamento não é próprio da alma do ator russo". Me desanima não apenas o fato de isso representar, talvez uma afirmação geral e corriqueira, fatualmente extraída da realidade que impera no teatro de repertório local, feita verdade absoluta através da dúbia utilização (nem sempre correta) do verbo ser/estar em russo.
Quando estava quase aceitando o princípio como verdade absoluta, parei para pensar. Onde é que eu aprendi? Como foi que entendi a questão do treinamento como força motriz do jogo cênico? Em grande parte, por aqui mesmo.
Significaria que todo o esforço de reformar a arte do teatro empreendido por Stanislávski, Meyerhold, Vakhtângov foi em vão? De que se tratava afinal a Grande Reforma, iniciada por esses pensadores da arte cênica? Antes de mais nada é preciso dizer: o núcleo fundamental da reforma era pedagógico, já que era através do ensino (e não da simples montagem vanguardista de espetáculos) que se poderia formar um ator que não apenas reproduzisse, mas que criasse a forma de acordo com as exigências de seu tempo. Neste aspecto, penso que Meyerhold e Stanislávski são muito mais próximos do que à primeira vista: tanto um como outro estavam ligados e limitados às condições do desenvolvimento da técnica cênica de seu tempo, e tanto um como outro dão ênfase na pedagogia exatamente quando percebem que através dela é que se possibilita trabalhar com a constante mudança da técnica, mantendo a criação atoral como ponto central da arte do teatro.
E ambos são os primeiros a colocar o treinamento do ator como condição sem a qual é impensável a posterior existência da arte teatral. É a disciplina coletiva do treinamento que cria o conjunto de regras não-escritas que permite aos atores o estado de jogo cênico.
Há uma confusão geral, quando se fala em treinamento (pelo menos por aqui) de confundí-lo com os simples 'exercícios'. Claro, isto porque qualquer treinamento é formado, claro, por um ou mais exercícios. Mas há uma grande diferença entre um e outro. Os exercícios tem objetivos específcos: desenvolver a capacidade de atenção, a plasticidade do ator e assim por diante. O treinamento é um conjunto de exercícios especial organizado mais ou menos como os cânones são organizados para os músicos: tem o objetivo não apenas de treinar tal ou qual habilidade técnica, mas sim a de preparar o intérprete para o estado criativo necessário. Bem, no teatro a formação do estado criativo necesário passa incondicionalmente pela criação de uma ética de grupo, que permita todos os participantes adquirirem a confiança uns nos outros e trabalhar (ou seja, jogar) com o material cênico de que dispõe: seus corpos e suas intenções.
Quando estava quase aceitando o princípio como verdade absoluta, parei para pensar. Onde é que eu aprendi? Como foi que entendi a questão do treinamento como força motriz do jogo cênico? Em grande parte, por aqui mesmo.
Significaria que todo o esforço de reformar a arte do teatro empreendido por Stanislávski, Meyerhold, Vakhtângov foi em vão? De que se tratava afinal a Grande Reforma, iniciada por esses pensadores da arte cênica? Antes de mais nada é preciso dizer: o núcleo fundamental da reforma era pedagógico, já que era através do ensino (e não da simples montagem vanguardista de espetáculos) que se poderia formar um ator que não apenas reproduzisse, mas que criasse a forma de acordo com as exigências de seu tempo. Neste aspecto, penso que Meyerhold e Stanislávski são muito mais próximos do que à primeira vista: tanto um como outro estavam ligados e limitados às condições do desenvolvimento da técnica cênica de seu tempo, e tanto um como outro dão ênfase na pedagogia exatamente quando percebem que através dela é que se possibilita trabalhar com a constante mudança da técnica, mantendo a criação atoral como ponto central da arte do teatro.
E ambos são os primeiros a colocar o treinamento do ator como condição sem a qual é impensável a posterior existência da arte teatral. É a disciplina coletiva do treinamento que cria o conjunto de regras não-escritas que permite aos atores o estado de jogo cênico.
Há uma confusão geral, quando se fala em treinamento (pelo menos por aqui) de confundí-lo com os simples 'exercícios'. Claro, isto porque qualquer treinamento é formado, claro, por um ou mais exercícios. Mas há uma grande diferença entre um e outro. Os exercícios tem objetivos específcos: desenvolver a capacidade de atenção, a plasticidade do ator e assim por diante. O treinamento é um conjunto de exercícios especial organizado mais ou menos como os cânones são organizados para os músicos: tem o objetivo não apenas de treinar tal ou qual habilidade técnica, mas sim a de preparar o intérprete para o estado criativo necessário. Bem, no teatro a formação do estado criativo necesário passa incondicionalmente pela criação de uma ética de grupo, que permita todos os participantes adquirirem a confiança uns nos outros e trabalhar (ou seja, jogar) com o material cênico de que dispõe: seus corpos e suas intenções.
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